Outro dia estava conversando com um grupo de aquaristas mais experientes sobre as práticas de manutenção semanais que cada um adotava. Por mais que eu desconfie de receitas prontas nesse universo onde muito depende, as vezes é legal traçar uns paralelos para ter um conjunto de práticas que podem ser aplicadas a maioria. Um exemplo: eu aqui em casa quando faço a troca semanal de água dos bettas, eu tenho como prática separar 1 litro de cada aquário, coloco o betta nele, retiro quase toda a água do aquário em um balde, reponho com água nova, coloco condicionador e depois devolvo o betta junto com a água ‘antiga’. Sei que tem gente que faz isso, mas não devolve a água antiga (é troca total de água) e sei que tem gente que não troca mais do que 50% da água para evitar um choque de parâmetros que possa debilitar o peixe. E assim a conversa segue.
No que começamos a falar dos aquários maiores - em especial o pessoal que tem acarás disco, o senso comum pairava em manter aquários sem substrato, e quando tem, somente uma fina areia de duna. Plantas? Em geral, epífitas. Estava eu animado no papo quando me dei conta de que já parti desse lugar mais minimalista, mas aos poucos meu aquário foi ganhando ares de plantado novamente. Em minha defesa, um dos aquários que eu mais gosto de ver atualizações via instagram é o do Matheus Placidino, que é um plantadão deslumbrante com acarás disco, altums (aquele bandeira maiorzão que tem se popularizado de uns 3 anos pra cá no Brasil) e uns peixes pequenos. Eu já tinha ido nesse caminho do plantado com discos no passado recente, mas a manutenção foi se complicando tanto que parti para o quase minimalismo. Digo quase porque sempre tive alguma plantinha, e na fase mais limpa eu tinha 1 ninféia (a mesma que me acompanha desde 2020) e 1 Echinodorus de folha mais arredondada.
Na mesma hora, fiquei aqui revendo o que me levou ao minimalismo: em cada troca parcial eu apanhava (e muito) para sifonar os dejetos que se acumulavam junto à decoração e às raízes das plantas. Quando eu era negligente, em pouco tempo os efeitos apareciam: peixes visivelmente desconfortáveis, suspensão na água, crescimento maior de algas. Só que ultimamente nenhum desses sinais tem aparecido - e olha que estou com uma cortina respeitável de vallisnerias e cryptocorines spirallis ao fundo junto ao vidro. Na TPA seguinte, resolvi ser um pouco mais detalhista e buscar aqueles dejetos junto a raízes e rochas. Quase nada. Até que logo na areia perto do vidro da frente me veio a resposta, ou melhor, uma meia dúzia de respostas: ampulárias. Desde que rolou uma desova aqui e eu fui criando os filhotes, nunca mais tive esses sinais de que precisava intensificar a limpeza. Mais que isso, passei a ter que ser mais diligente na alimentação dos peixes de fundo, após notar alguns parotocinclus e corydoras mais magrinhos. Se eu soubesse o quanto iam me ajudar, teria as adotado bem antes.
Revendo aqui minha rotina, resolvi relaxar um pouco com essa questão dos dejetos, mas um novo receio foi desbloqueado com sucesso: o da morte de uma delas. Um bicho desses entrando em decomposição deve fazer um carnaval nos parâmetros (em especial, amônia). Minha nova rotina semanal agora envolve perceber se as ampulárias estão bem ou se estão tempo demais na concha.
No meio dessa história sobre minha rotina semanal de observação e cuidado com o aquário principal, já dei umas dicas do redesenho que fiz no layout. Ainda faltam algumas coisas, mas quando ficar do jeito que eu quero divido com vocês. Muito disso é inspirado nos aquários do Mateus, no The Grotto (do Mark Chen) e nas dicas do Cléber (AquaFlow) reagindo ao meu aquário há umas 3 semanas. Quem quiser uma opinião bacana quanto a layout e aquapaisagismo, acompanhe as lives de segunda feira do AquaFlow e mande uma foto do seu aquário para eles reagirem.
Tem algum tema específico que vocês gostariam de ver aqui na newsletter? Tenho usado mais como espaço para divagações aquaristas (muitas motivadas pelos papos no grupos de ouvintes do podcast e no grupo de membros do AquaFlow) - quase um blog com postagens enviadas por e-mail. Qualquer sugestão de pauta, comentem aqui:


