Vou me permitir um generalismo (tendo a acreditar que todo generalismo nasce errado, exceto este). Todo mundo que começa no aquarismo mistura peixes somente pela lógica de “gostei desse, quero lá em casa”. Exceções existem sim - em especial os que contam com uma boa assessoria de um lojista mais sério, mas pode-se dizer que não é o que a maioria dos novos hobbistas fazem.
Aqui tenho lugar de fala, claro. O nosso primeiro aquário (década de 80), um 50x30x30cm de vidros colados em uma esquadria de alumínio começou com uns paulistinhas, 2 barbos aurulius, 1 tetra negro, 1 acará bandeira e 2 mandis pequenos (talvez não tenha sido exatamente esses, mas são os que me lembro na primeira compra). Nas montagens seguintes, até o meu penúltimo aquário (2019) mesmo eu lendo sobre cada uma das espécies de peixes disponíveis, eu sempre fiz esses aquários “globais” - engraçado como eu nunca tive esse lampejo de agrupar espécies de um mesmo biótopo. Eu já tinha adquirido algum senso crítico de modo a não colocar por exemplo kinguios em um aquário plantado, mas vez por outra dava minhas derrapadas. Uma delas foi cismar em ter um labeo bicolor em um plantado com tetras, corydoras e danios (paulistinhas e malabaricos). Em pouco tempo o bicolor infernizou todos os demais integrantes - só ele podia nadar em primeiro plano.
Quando montei meu plantado almejando ter discos em 2019, já envolvendo minha filha em cada etapa do projeto, vendi a ideia de que estávamos montando um pedacinho da bacia amazônica dentro de casa. Desde então me tornei bastante restrito a misturas de espécies. Sempre que via algum vídeo com misturas de espécies de lugares diferentes, torcia o nariz. Nos últimos 3 anos, já por conta das conversas e pesquisas de pautas motivadas pelo podcast, tenho baixado mais a minha guarda.
Costumo dizer sempre que a busca real de cada aquarista é pelo equilíbrio, e aos poucos vejo que isso se aplica também a fauna que hospedamos em nossas casas. Vale ressaltar que vir do mesmo biótopo não é garantia de equilíbrio ou harmonia - vide aquários com acarás disco e aruanãs, acarás disco e arraias, acarás bandeira e neons verdes, onde presas tem menos chances de resistir a seu predador natural. O exemplo final está aqui embaixo: o Florestas Submersas, inspirado no biótopo amazônico, tem 2 espécies de peixes de outros continentes: o comedor de algas siamês (que chamamos de flying fox), o barbo titteya e o tetra do Congo
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Para quem chegou neste último parágrafo: esse texto foi inspirado no meu processo mental de convencimento de colocar melanotaenias no meu aquário atual. Apesar de ser originário da Indonésia, estou quase convencido de que ia ficar bem bonito aqui em casa e não atrapalharia a dinâmica dos outros peixes. Veremos…
Semana que vem, volto a falar de plantados. De novo, outra vez. Espero que gostem.



