Nos últimos dias, participei de mais uma conversa sobre o dia a dia dos nossos aquários. Confesso que é um dos meus assuntos corriqueiros prediletos - e me mantém afastado das conversas sobre doenças e tratamento que sempre me dão um sentimento ruim. Não que eu ache que os peixes tem que ser invulneráveis, mas me incomoda a falta de medicamentos no mercado brasileiro adequados para tratar alguns males relativamente comuns no aquarismo e o festival de gambiarras que muitos fazem para curar seus peixes, ou matá-los no processo. Voltando ao dia a dia: em dado momento alguém falou que estava há semanas sem fazer TPA e imediatamente me bateu aquele alerta de que precisava entender melhor algo ali.
Em outros tempos eu confesso que eu já estaria fazendo um monte de prejulgamentos na minha cabeça, mas com esses anos de projeto de podcast eu fiquei mais cascudo na arte de ouvir mais e recomendar menos. Especialmente pelo fato do nosso grupo estar com um nível bem alto de maturidade e conscientização. Entrando nos detalhes ali, me deparei com os grandes problemas da vida como ela é: o trabalho fica mais puxado, um filho doente, duas viagens inesperadas e cadê o tempo livre para o manejo do aquário? E aí a conversa descambou para estratégias preventivas que adotamos para que nossos aquários sofram o mínimo possível quando as contingências do dia a dia atropelam nossos planos de manejo sanitário perfeito.
No caso do amigo ali no grupo (não vou dizer o nome só porque não pedi autorização pra ele, embora desconfie que ele não se incomodaria), a estratégia é ter um sistema de filtragem superdimensionado, que garante que os níveis de amônia e nitrito permaneçam sob controle. Com peixes saudáveis e resistentes, mantém-se um aquário bonito e equilibrado por muitas semanas, talvez até meses. Só que pelo fato de ser um sistema fechado (ou como disse um amigo geoquímico lá do grupo, um sistema aberto de reservatório pequeno), a matéria orgânica não some simplesmente, e ao longo das semanas ocorre o acúmulo silencioso dos nitratos e de fosfatos, sem considerar outras variáveis. Conversa bem boa, com gente já bem experimentada no hobby falando de forma madura e trocando dicas e alternativas. E além de tudo, tenho que dizer que a carapuça serviu.
Nos últimos meses eu venho falando tanto aqui quanto no podcast como as mazelas da vida adulta tem me tirado tempo precioso. Por conta disso, eu também tive que adotar algumas medidas de contorno para manter meu aquário. Em algum momento entre o ano passado e esse ano investi em leituras e um pouco de experimentação para me balizar no acúmulo de nitratos como o principal indicador de que as coisas estão saindo do controle. No início do ano, cheguei a medir o nitrato pouco antes de fazer TPAs em intervalos de 1, 2 e 3 semanas, comparando com o comportamento dos meus peixes - aqui uma variável totalmente empírica. Daí cheguei ao número mágico de 20ppm como a concentração de nitrato ainda tolerável, e que qualquer número acima disso compromete a saúde dos peixes. Com isso, eu tracei os seguintes mecanismos de contorno:
Ter um pouco menos peixes do que em épocas anteriores: já cheguei a ter 10 acarás disco, e nessa época se eu ficasse mais de 1 semana sem TPA eu já percebia os peixes incomodados. Agora estacionei em 8;
Filtragem superdimensionada, com uma boa quantidade de mídia biológica (entre nano rings, matrix e espumas de porosidades diversas);
Uma cortina de plantas no background, com perfil de alto consumo de nutrientes, além de algumas plantas flutuantes;
Ajustes na iluminação e na fertilização líquida, para que haja fosfatos compatíveis com o consumo de nitratos feito pelas plantas sem gerar um boom de algas;
Alimentação sem exageros.
Mesmo assim, sigo com o plano de fazer TPAs semanais. De vez em quando, elas acabam sendo quinzenais, mas pelo menos o sistema tem aguentado aparentemente bem. Ao menos quando meus planos semanais falham, os peixes e plantas não sofrem por minha causa.
Por falar em episódio, semana passada falei sobre a cultura do improviso, especialmente com o alto preço de alguns equipamentos de aquarismo no mercado brasileiro, e aonde compensa partir para soluções caseiras. Episódio nano, de apenas 13 minutos:
Semana que vem deve vir um episódio “palestrinha” falando de biótopos do sudeste asiático. A pauta tá bem bacana, e já tá me dando ideias de montagens futuras. Espero que gostem!


