#47. Literatura de aquarismo
Como achar conhecimento fugindo dos vídeos
Em pleno século XXI tem alguém nesse mundo que ainda se importa com conhecimento em livros? Sim, tem. Não só eu, que sou um bicho do século passado e que comecei no hobby devorando livros do Gastão Botelho, Alex Damazio, Márcio Infante Vieira, entre outros. E aí a cada momento em que precisei me atualizar, recorri aos livros do momento.
Depois de aprender o básico com o patrono do aquarismo brasileiro, eu ganhei de presente do namorado de uma das minhas irmãs alguns livros importados bem bacanas. Eram livros da editora TFH, a mesma que publica até hoje a revista Tropical Fish Hobbyist. Vi pela primeira vez uma variedade de peixes ornamentais realmente fascinante, que não estavam presentes nos livros nacionais. Alguns desses peixes eu só fui ver “ao vivo” muitos anos depois, como o rásbora harlequim e o neon innesi. Além desses livros, tínhamos algumas revistas nas bancas, como a Aquarismo (onde também escrevia o Gastão Botelho, da editora Inter Ciências), a Habitat (do Marcelo Notare, que tinha loja de mesmo nome em Botafogo) e a Aquarista Junior, do Marcus Marques. Veio o plano Collor na década de 90, e só sobrou a Aquarista Junior, a duras penas.
Na década 00, quando tive um primeiro rompante de me atualizar no hobby, eu simplesmente não encontrei nada disponível em termos de publicações. Já vivíamos a era da internet, e os sites com fóruns de discussão fervilhavam. Consegui me atualizar graças ao saudoso portal Aqua Hobby (do Marcos Ávila). Era possível acessar conhecimento de todos os níveis (básico, plantados, marinho, jumbo, etc) neste e em outros sites (destaque também para o Brasil Reef, para o pessoal de marinho). Nesse meio tempo, descobri que a revista Tropical Fish Hobbyist oferecia assinatura impressa - entregando inclusive aqui no Brasil, mas também uma versão digital para tablets. No meio da pandemia, quando eu fiquei realmente imerso no dia a dia do meus aquários, encontrei por acaso um livro importado destinado a plantados, o Sunken Gardens. Alguns meses depois, ganhei de dia dos pais um outro, Aquascaping, do influencer inglês George Farmer. Ambos muito legais e que abriram bastante minha cabeça.
De uns 5 anos para cá, no entanto, a esmagadora maioria do conteúdo para aquarismo está espalhado em diversos canais de YouTube. Para quem está começando até que tem algum bom conteúdo disponível, mas fica difícil diferenciar o que são dicas realmente úteis de indicações de produtos que patrocinam os respectivos canais e influencers. E aí para fazer esse pequeno texto (metade saudosismo, metade lamento), eu até busquei publicações recentes de aquarismo. Achei uns poucos livros voltados para iniciantes - que prefiro não julgar sem ler (mas parecem dar o recado). Para os mais avançados, tem coisa muito boa para o pessoal do plantado - destaque para os livros do Eduardo Fonseca (A ciência do aquário plantado - volumes I a IV) e para o livro recém publicado pelo Cléber Sá.
Como puderam perceber (espero!), me mantive razoavelmente ocupado nas férias e pausa da Copa do Mundo com experimentos de episódios nano. A audiência não foi tão boa quanto a dos episódios comuns, mas quem ouviu curtiu - e esse é o objetivo. Com o meu tempo ficando mais escasso, esse formato veio para ficar, e a tendência é que os próximos programas sejam majoritariamente curtos e mais focados. C’est la vie.
Com isso, as newsletters também devem por o pé no freio. Meu plano é soltar edições mensais, especialmente para não ficar me repetindo muito nos assuntos. Não quero cravar se vão ser quinzenais ou mensais, mas posso cravar que sempre que tiver algo que eu acho relevante, vou escrever e mandar para vocês. Nos vemos nas próximas semanas por aqui e/ou nos tocadores de áudio


