#44. O mundo dos gastrópodes
Ou, como as ampulárias nos conquistaram aqui em casa
Depois de alguma resistência, eu finalmente aderi às ampulárias. Não por questão estética: eu me amarro em gastrópodes, embora eu só tivesse algum olhar para os de água salgada. Eu tinha duas questões em relação a ter ampulárias no meu principal:
Quando estão se reproduzindo, as fêmeas procuram lugar seco para colocar os ovos. Isso inclui passeios demorados fora do aquário, e na primeira vez que tentei ter ampulárias (doação do amigo Mario Mesiano), encontrei uma delas no chão da sala pois o aquário na época não tinha cobertura. Fiquei meio receoso com esse tipo de surpresa;
Tive receio de alguma morrer dentro do aquário e eu não perceber (tipo morrer dentro da concha). O pico de amônia poderia ser desastroso.
Até que em algum momento este ano, quando pesquisava a pauta de Invertebrados, resolvi dar uma segunda chance. Tomei algumas precauções: voltei com a cobertura de acrílico que eu tinha adquirido junto a BMA Acrílico há 3 anos (que precisaria de uns ajustes mas em função do custo resolvi deixar como está) e me certifiquei que a água esteja com um pH decente (águas muito ácidas corroem a concha).
Adquiri uma amarela e uma rosa. Por sorte ou não, macho e fêmea (ao contrário do que muitos pensam, ampulárias não são hermafroditas). De primeira, tive a percepção de que ajudou muito no manejo do aquário, por serem detritívoras. Fora que andam com uma velocidade admirável se comparado ao que se imagina de um caracol, parecem flutuar sobre pedras, plantas e vidro. Eis que em um intervalo de 2 semanas, apareceu um “casulo” com ovos na borda seca do aquário, junto à cobertura. Até que um determinado dia eu deixei uma fresta na lateral ao dar comida para os peixes. Resultado: um “casulo” em cima da luminária.
Olhei o aquário, e uma delas tinha sumido. Nessa de passear ao ar livre, estava no chão da sala e foi pisoteada por acidente. Foi-se a fêmea. Comprei outra, mas por não saber diferenciar, acabou sendo outro macho visto que não rolou nenhuma desova depois disso.
Depois de umas semanas, percebi que os casulos estavam vazados. Olhando com calma, encontrei mais de 15 mini ampulárias passeando pelo aquário. A maioria delas amarelas, mas algumas rosas também. Em breve vou doar algumas para os amigos, mas agora assumimos aqui em casa que elas são tão importantes quanto os peixes.
Sigo aqui acompanhando a Copa do Mundo de futebol masculino quando tenho tempo, mas conseguindo conciliar com todo o resto. Isso inclui o podcast e estas mal digitadas linhas. Quando ouvi um comentarista criticando os selecionados pelo técnico do time brasileiro, imaginei o Ancelotti como aquele aquarista que acabou de montar um aquário de 200 litros, vai numa loja e compra um monte de peixes diferentes, sem se atentar se eles combinam em termos de temperatura, pH, biótopo, comportamento, etc. Espero que ele consiga encontrar um subconjunto que funcione no aquário principal (os titulares) e separe os demais em outras montagens (banco de reservas).
Semana passada lancei o meu piloto de episódio nano: gravado em apenas 1 take, edição mais simples, música dedicada e um assunto que rende no máximo 15 minutos, foi a vez de tentar desmistificar os ramirezis acompanhando os 6 meses da minha convivência com um suposto casal de ramirezis do tipo koi (o da foto que ilustra o episódio). A escolha de dia foi infeliz: sexta feira, que depois ao consultar as minhas estatísticas vi que é um dia de baixa procura. Mesmo assim, um ou outro comentário positivo, fora a tranquilidade de gravar, editar e subir para o Spotify. Vou seguir com esse formato - em paralelo com os episódios regulares, que voltam em agosto.
Nota em relação a longevidade dos ramirezis: pouco depois de subir o episódio, eu vi este vídeo do Mark Chen (colunista da Tropical Fish Hobbyist) explicando a montagem do lindo aquário dele chamado The Grotto. Em algum momento ele fala de uma variante de ramirezi chamada por lá de Holland Ram, e frisa que “infelizmente este peixes tem um ciclo de vida mais curto, e acaba ficando menos tempo com a gente do que gostaríamos” (algo nessa linha). Resolvi me conformar com os meus 6 meses de experiência.
Semana que vem ou o mais tardar na próxima vai pintar outro nano. Já tenho a ideia na cabeça, em algum momento desta semana eu vou gravar e editar. Espero que gostem!



