#43. Reaprendendo
Um dos provérbios populares que mais me incomoda é “em time que está ganhando não se mexe”. Talvez pelo fato dele poder ser derrubado por uma verdade estatística: a cada vitória, o time que está ganhando se aproxima do momento em que vai perder. E essa sabedoria de botequim ajuda bastante a explicar os pequenos desastres de qualquer hobby, em especial os do aquarismo: geralmente as coisas dão errado quando você está tão seguro que tudo está certo que passa batido por detalhes importantes (ou seja, que não são meros detalhes).
Gastei todo esse parágrafo introdutório para justificar para vocês (e na verdade também para mim) o porquê de eu estar empenhado em melhorar a filtragem do meu aquário principal, mesmo aparentemente estando tudo ok com as minhas rotinas de manejo. Os peixes nunca estiveram tão saudáveis, meu pH está estável, os problemas que eu estava vivenciando com algas green spot e petecas aparentemente está controlado (mais uma vez obrigado, Robson) e os meus acarás disco estão ativos e esfomeados como nunca antes. Mas é aquilo: basta um animal morrer sem eu ver para ter um potencial problema, e mês passado eu passei um mal bocado com esse aquário quando um dos camarões fantasma morreu e o pico de amônia botou todo mundo ofegante no aquário. Com isso, eu passei a buscar uma forma de melhorar ainda mais a eficiência do meu filtro (que já é superdimensionado) para passar ao largo a esse tipo de problema.
Quando eu comprei o filtro, a configuração era diferente: das 4 bandejas, 1 consistia na espuma de porosidade média, 1 com espuma de porosidade alta (30ppi), 1 com perlon e 1 com mídia. Vi em diversos vídeos (inclusive no canal PondGuru) que o ideal era colocar o máximo de mídias biológicas de superfícies diversas para maximizar a colonização por bactérias benéficas, e ter uma forma prática de limpar o pré-filtro da sujeira grosseira do dia a dia. Com isso, configurei a minha filtragem assim: pré-filtro acoplado ao tubo intake do canister (dentro do aquário), outro pré filtro dentro do canister (antes das bandelas), uma bandeja de espuma de porosidade média (20ppi) e 3 bandejas com mídias biológicas. Essa configuração me permite ficar somente limpando a espuma do intake nas manutenções semanais, só precisando conferir o canister a cada 2 meses.
Aí eu esses dias fiquei pensando: por que será que um fabricante renomado no mercado colocaria essa configuração? Resolvi questionar os pressupostos e saí fazendo pesquisas. Depois de ler muita coisa (inclusive a configuração de fábrica dos tão bem falados filtros alemães da OASE, que vem com espumas e mídias K1, que normalmente são recomendadas somente para sumps), cheguei em um artigo do site aquariumscience.org que faz um teste bem detalhado sobre os tipos de mídia disponíveis. Cheguei a comentar isso em alguns grupos de aquarismo, mas em geral noto um certo ceticismo em questionar o pressuposto da prevalência das mídias siporax, matrix, nano rings e afins. Resolvi dar um crédito ao pessoal da Aquael, vou voltar ao menos com a espuma de alta porosidade em uma das bandejas. Depois eu conto pra vocês o resultado.
Para quem não ouviu o último episódio (64. Invertebrados), um recado: teremos mais um episódio agora em junho, e depois devo dar uma pausa, voltando após a Copa do Mundo pois sou desses aficionados no esporte bretão. No entanto, nesse intervalo de junho & julho eu devo experimentar um formato diferente de episódio, com no máximo 15 minutos de áudio, edição mais simples e focando em algum assunto específico. Ainda não sei que nome vou dar pra essa modalidade, não sei se vai vingar, mas vou experimentar pra ver se dá certo. Eu aviso aqui na newsletter quando rolar, e aí vocês me dão um retorno, ok?


