Eu recentemente fiz uma troca de filtros no meu aquário principal que, embora fosse contraintuitiva, se mostrou bem sucedida. É um aquário de 225 litros montado em janeiro de 2021 com o intuito de abrigar preferencialmente acarás disco, salvo alguns outros peixes amazônicos. Como todo aquarista, com o tempo bate aquele impulso de “e se eu colocar mais 4 peixinhos daquele tipo ali?” - exatamente o que eu falo que NÃO se deve fazer, né? Com isso, cerca de 9 meses depois o aquário que antes tinha 4 discos, alguns neons, corydoras, tetras limão e 1 cascudo passou a ter quase o dobro disso.
Como eu falei na news da semana retrasada, com o tempo a gente aprende que não há regras pétreas no aquarismo, mas que cada escolha implica em consequências. Com isso, comecei a perceber que o canister Fluval 306 que eu tinha adquirido para rodar esse aquário já estava começando a saturar cada vez mais rápido. Daí dentre as possíveis tratativas, optei por instalar um segundo canister de vazão semelhante, e alternar a manutenção entre eles. Rodei o aquário assim por bastante tempo, mas este ano comecei a estudar várias montagens de aquários semelhantes e ler alguns artigos, e cheguei a conclusão de que a matemática dos filtros não é linear e intuitiva, ou seja, se eu rodar 2 filtros eu não tenho a capacidade de filtragem duplicada. Provas disso? Não tinha, mas confiei no meu instinto e parti para a troca dos 2 filtros médios por outro um pouco maior. Até publiquei um vídeo mostrando em resumo esse processo. Passados alguns meses e mais alguns ajustes, o aquário foi ficando mais ajustado na minha opinião, mas precisava incrementar a filtragem mecânica, o que me levou a colocar um pré-filtro no tubo de captação de água. Estamos com quase 2 semanas dessa tentativa, e me parece que deu o resultado que eu queria.
Antigamente eu fazia também essas experiências, mas acho que eu tinha muito menos paciência para analisar e aprender com os resultados. Ou talvez a falta de ter com quem conversar sobre os achados não me permitissem entender com maior clareza. O fato é que essas mexidas que venho fazendo de 2021 pra cá tem se provado muito educativas, especialmente por ter o pessoal lá do nosso grupo whatsapp para trocar ideias (quem quiser fazer parte, tem o link aqui).
E no meio de uma dessas conversas sobre filtragem (o Rodrigo, que faz parte lá da turma, está no processo de fazer o mesmo), finalmente tivemos uma aula do porquê de colocar 2 filtros não implicar em duplicar a capacidade de filtragem do sistema. Abrindo aspas aqui para o Victor Souza Medeiros, que estuda biorreatores: “Aí tem dois fatores, o primeiro que você só terá substrato recalcitrante, ou seja, que já foi degradado e a degradação agora é mais difícil. Somado a isso, a eficiência do primeiro já vai ter consumido boa parte do substrato, o que limita o segundo, aí pensando em substrato sem degradação, prontamente disponível. Segundo fator é que o sistema não é em série e nem em paralelo, porque usam a mesma fonte de alimentação, sem distribuição homogênea: paralelo seria se o aquário fosse muito grande ou dois aquários, um do lado do outro, série se um for ligado no outro. Entenda como substrato a matéria orgânica, amônia, nitrito e nitrato. Voltando para a eficiência em sistemas em série, o primeiro filtro retira uma parte do substrato, o segundo vai retirar a parte que sobrou, já tem um fator que limita, então não é 1 + 1, é 1 + a fração que sobra. A conta fica mais ou menos assim, pensa que cada filtro tem 70% de eficiência, 70% + (30% * 70%) = 91%, ou seja, 1+1 não é igual a 2.”
Como eu estou nessa de aquarismo e de ter podcast de aquarismo para aprender e para ajudar outras pessoas a aprenderem, pedi licença ao Victor para compartilhar a aula dele com vocês. Desde já o meu muito obrigado a ele!
Agora as fontes de conteúdo são bem diferentes da época que eu comecei no aquarismo (revistas, livros e um ou outro lojista mais sério naqueles tempos). Apesar da maior facilidade em se obter conteúdo hoje em dia, também é muito mais fácil aprender coisas erradas via gente irresponsável ou que só fala o que muitos querem ouvir para ter o clique no canal / vídeo / etc. Essa aliás foi uma das coisas mais bacanas do papo com o Felipe Soares, nosso entrevistado do episódio passado do podcast. #ficaadica
Episódio da semana que vem está no forno, chegando semana que vem nas principais plataformas de áudio. E já adianto que o último episódio desta temporada será uma retrospectiva rápida (espero) dos assuntos que eu abordei ao longo de 3 temporadas por aqui. Pra mim vai servir de exercício para não me repetir (de novo) ano que vem, e para a audiência rotativa é uma forma de ter uma pincelada sobre tudo o que eu já falei - aí pode ser que aquele tema que você queria ouvir já tenha sido abordado.
Próximo episódio chega dia 27/nov, e final de temporada marcado para o dia 11/dez. Até lá!


